A praia da Lagoa, na Póvoa de Varzim, continua com a bandeira vermelha hasteada, apesar de a mais recente análise à água do mar, mandada efectuar pela Delegação Regional de Saúde, ter registado a ausência da bactéria salmonela e o Ministério do Ambiente ter ontem qualificado a água como "boa".
A presença da bactéria foi o motivo da interdição decretada no passado dia 1 na praia da Lagoa, um impedimento que, no dia 4, foi estendido às vizinhas praias de Fragosinho e de Pontes, de forma a apanhar toda a baía que constitui a zona balnear designada "Lagoa /A-Ver-o-Mar Norte".
Rocha Nogueira, do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Norte, disse ontem ao PÚBLICO que a autoridade de saúde só levantará a proibição de banhos quando obtiver duas análises negativas consecutivas (relativamente à presença de salmonela), de forma a concluir que há uma "garantia de estabilidade" da qualidade. Ou seja, no caso da zona balnear que inclui a praia da Lagoa, a interdição só deve ser levantada na próxima quinta-feira, se, entretanto, a amostra da água recolhida na passada terça-feira também não acusar a presença de salmonela.
No caso das análises efectuadas pelo Ministério do Ambiente, são avaliados os parâmetros da directiva comunitária sobre a qualidade da água do mar - quantidade de coliformes totais, enterococos intestinais ou a Escherichia coli -, mas ficam de fora os indicadores da "avaliação de risco", que são procurados em análises mais complexas (pedidas pela autoridade de saúde), cujos resultados demoram mais tempo a ser divulgados.
Por exemplo, a praia da Lagoa, que teve uma análise positiva à salmonela, está ao nível das melhores do país entre as escrutinadas pelo Ministério do Ambiente.
Na presente época balnear, esta zona conquistou a décima classificação "boa" em dez possíveis. Somente a colheita realizada a 22 de Julho deu um resultado "aceitável".
O certo é que os banhistas deparam com duas informações distintas: a classificação do Ministério do Ambiente e o aviso de interdição da autoridade de saúde.
Ciente de que as duas informações opostas geram confusão, a Delegação de Saúde decidiu colocar nas praias um aviso em que explica aos banhistas o que causou a interdição dos banhos.
O comandante da capitania disse que a maioria dos banhistas tem respeitado a proibição: até ao momento, só foi levantado um auto de contra-ordenação.
in Público 08/08/2008
in Público 08/08/2008